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Análise da tendência do ministro das Comunicações Mustafa Sand de proibir o aplicativo Waze no Iraque e as melhores alternativas

عباس البياتيPublicado: 2026-10-24 00:16 · 11 min de leitura

O ministro das Comunicações Mustafa Sand anunciou uma intenção de proibir o aplicativo de navegação Waze no Iraque, enquanto a Autoridade de Mídia e Comunicações afirma que nenhuma decisão de bloqueio foi tomada. Esta análise examina os fatos e propõe alternativas regulatórias que alcancem o objetivo de segurança sem prejudicar cidadãos e a economia digital.

Análise da tendência do ministro das Comunicações Mustafa Sand de proibir o aplicativo Waze no Iraque e as melhores alternativas
O ministro das Comunicações Mustafa Sand durante cerimônia de assinatura de contrato no ministério em Bagdá (arquivo)

Análise O aplicativo de navegação Waze ainda funciona no Iraque até hoje, mas seu futuro está pendente entre a intenção anunciada pelo ministro das Comunicações Mustafa Sand de bani‑lo e a afirmação da Autoridade de Mídia e Comunicações de que nenhum decisão de bloqueio foi emitida. O caso levanta uma questão mais ampla do que um único aplicativo: como o Estado alcança seus objetivos soberanos e de segurança sem impor o custo desse tipo de decisão a milhões de motoristas e às empresas de transporte e entrega?


O que foi anunciado até agora

No dia 6 de outubro de 2026, na margem de uma feira de tecnologia em Erbil, o ministro Sand anunciou que o ministério tende a banir o Waze no início de 2027, justificando que o aplicativo foi fundado em Israel e apontando a existência de alternativas para os usuários, incluindo o Google Maps e aplicativos iraquianos. No mesmo dia, o ministro emitiu um comunicado dizendo: “Decidimos cancelar nossa decisão de banir o aplicativo Waze no início de 2027 e antecipar a decisão para o final do próximo mês de dezembro.”

O Waze foi fundado em Israel, antes de ser adquirido pela empresa americana Google em 2013, e a orientação governamental está ligada à posição oficial do Iraque sobre Israel, já que uma lei aprovada pelo Conselho de Representantes em 2022 criminaliza quaisquer relações políticas, econômicas ou culturais com aquele país.

Em 22 de outubro, durante o Fórum de Governança da Internet em Bagdá, o ministro afirmou que “não existe proibição sobre o aplicativo Waze”, acrescentando: “Eu não recuei sobre a proibição do aplicativo Waze, e haverá aplicativos alternativos”. Ele explicou que jovens iraquianos e empresas locais apresentaram ao ministério propostas de aplicativos de mapas e monitoramento do tráfego.


Posição da Autoridade de Mídia e Comunicações

Em contrapartida, o presidente da Autoridade de Mídia e Comunicações, Baligh Abu Kulal, disse que nenhuma decisão de fechar o aplicativo foi tomada, e que o bloqueio de qualquer aplicativo exige investigação minuciosa e procedimentos completos, afirmando que o Waze permanecerá disponível até que se decida sobre ele. Ele acrescentou, no mesmo fórum, que o Iraque lida com a Google e usa seus serviços, e que é improvável proibir parte de seus aplicativos pelo fato de sua origem institucional, ao mesmo tempo em que apoiou o incentivo a desenvolvedores iraquianos para criar alternativas, descrevendo essa tarefa como “não fácil”.

Assim, o cenário até agora parece ser uma tendência anunciada pelo ministério, não uma decisão regulatória em vigor, em meio a divergência clara entre o ministério e o órgão regulador do setor de comunicações.


Reações parlamentares e populares

A membro da Comissão Parlamentar de Transporte e Comunicações, Mona Suwadi, pediu ao ministério que não seja precipitado, afirmando que a segurança nacional é prioridade, mas que proteger os interesses dos cidadãos e a continuidade de seus meios de subsistência é igualmente importante. Ela observou que a comissão recebeu apelos de empresas de entrega e entidades que dependem do aplicativo para organizar suas atividades e traçar rotas, e pediu esclarecimentos técnicos e de segurança e a busca por alternativas antes de qualquer decisão final. O anúncio também provocou uma ampla onda de comentários nas redes sociais, que o próprio ministro reconheceu ao relacionar a mudança de data à reação dos cidadãos.


Por que os iraquianos dependem do Waze

O Waze baseia‑se em alertas em tempo real de milhões de motoristas sobre congestionamentos, acidentes, bloqueios e desvios, e recalcula rotas automaticamente para evitá‑los. Em cidades como Bagdá, onde o tráfego consome horas do dia de funcionários e motoristas de táxi, o aplicativo tornou‑se uma ferramenta de trabalho diária para motoristas de táxi, empresas de entrega e transporte, além de orientar ambulâncias, serviços de emergência e viajantes entre as províncias. Qualquer interrupção súbita significaria mais tempo na estrada, mais combustível e custos operacionais mais altos, que acabam sendo repassados ao consumidor.


Crítica construtiva ao curso da decisão

Não há desacordo quanto ao direito do Estado de proteger os dados de seus cidadãos e sua segurança, nem quanto à importância de apoiar competências iraquianas em programação. Mas a forma de conduzir o caso levanta observações que merecem revisão:


  • Base legal não está clara: Ainda não foi publicada qualquer documentação oficial que defina o fundamento legal do bloqueio, nem o mecanismo de sua implementação, se ele abrangeria a Região do Curdistão, ou qual autoridade seria competente para emiti‑lo.
  • Antecipar a data em vez de consultar: Mover a data do início de 2027 para o final de dezembro após as críticas deu a impressão de escalada, quando o mais adequado teria sido abrir espaço para consulta com os afetados.
  • A alternativa deve preceder a proibição, não sucedê‑la: Um aplicativo de navegação bem‑sucedido precisa de uma base de dados geográfica precisa, uma malha viária atualizada continuamente, sistemas de roteamento e dados em tempo real sobre tráfego e incidentes — um ecossistema que se constrói em anos, não em semanas.
  • O padrão de proteção de dados é mais amplo do que um único aplicativo: Se o objetivo é proteger dados de localização, outros aplicativos amplamente usados também coletam dados semelhantes, o que torna mais eficaz estabelecer normas unificadas de proteção de dados que abranjam todos, em vez de bloquear um aplicativo isoladamente.

Riscos da proibição para a economia digital

Experiências de bloqueio de aplicativos em vários países mostram que os usuários recorrem rapidamente a redes privadas virtuais (VPN), mantendo o uso do aplicativo efetivamente bloqueado, ao passo que o Estado perde capacidade de regulação e supervisão, e os usuários ficam expostos a aplicativos intermediários desconhecidos que podem ser mais perigosos para seus dados. Decisões súbitas no setor digital também enviam um sinal preocupante a investidores e a startups tecnológicas que baseiam serviços em plataformas globais, num momento em que o Iraque busca transformação digital e atração de investimentos.


Experiências de países que optaram pela regulamentação em vez da proibição

Na França, o legislador tratou da questão de alertas sobre pontos de controle por meio da regulamentação, não da proibição. A Lei de Mobilidade de dezembro de 2019 e o decreto regulamentador de abril de 2021 permitiram que prefeitos e o ministro do Interior solicitassem a aplicativos de navegação, incluindo o Waze, que ocultem temporariamente determinados tipos de pontos de controle, por um período não superior a duas horas para postos de controle de álcool e drogas e 12 horas para outros pontos relacionados a crimes graves, terrorismo ou sequestro, e dentro de um âmbito geográfico delimitado. Empresas em falta estão sujeitas a pena de até dois anos de prisão e multa de 30 mil euros. O Ministério do Interior francês elaborou esse mecanismo em consulta com as próprias empresas de navegação, e o Conselho Constitucional francês confirmou sua constitucionalidade em novembro de 2021. (Declaração oficial do governo francês)

No plano de parceria, o programa Waze for Cities permite gratuitamente que municípios e autoridades de trânsito troquem dados com o aplicativo: as entidades governamentais fornecem ao aplicativo informações sobre interdições, obras e incidentes, e em troca obtêm dados anonimizados sobre velocidades de tráfego e congestionamento para melhorar a gestão de semáforos e a resposta a emergências. A página do programa apresenta experiências de cidades e entidades como Ghent (Bélgica), o Principado de Mônaco, o Rio de Janeiro (Brasil) e Chicago (EUA). (Página do programa Waze for Cities)


Recomendações práticas para o Ministério das Comunicações

  1. Negociar com a empresa dona antes da proibição: Se pontos de controle e barreiras de segurança são motivo de preocupação, pode‑se exigir que o aplicativo oculte esses locais no Iraque, à semelhança do mecanismo francês — uma medida técnica possível e já testada.
  2. Ingressar no programa Waze for Cities: A Diretoria Geral de Trânsito, a Prefeitura de Bagdá e governos locais podem obter gratuitamente dados de congestionamento e alimentar o aplicativo com informações oficiais sobre interdições e desvios, beneficiando tanto motoristas quanto serviços de ambulância.
  3. Quadro legal claro: Emitir normas escritas que definam quando e como qualquer aplicativo pode ser bloqueado, qual autoridade é competente para tanto e como se procede à contestação, em coordenação com a Autoridade de Mídia e Comunicações enquanto órgão regulador.
  4. Lei de proteção de dados pessoais: Obrigar todos os aplicativos, locais e estrangeiros, a cumprir padrões unificados na coleta e armazenamento de dados de localização, em vez de tratar cada aplicativo de forma isolada.
  5. Consulta pública com os afetados: Envolver empresas de entrega e transporte, sindicatos de motoristas, especialistas em tecnologia e a Comissão Parlamentar de Transporte e Comunicações antes de qualquer decisão.
  6. Alternativa local pronta primeiro: Apoiar aplicativos iraquianos é um passo positivo, mas o mais adequado é lançá‑los, testá‑los e comprovar sua capacidade de competir; se tiverem sucesso, atrairão usuários sem necessidade de proibição — algo que o próprio ministro previu ao dizer que a emergência de alternativas reduziria o uso do Waze.

Conclusão

O objetivo declarado pelo ministro — reforçar a soberania digital e incentivar competências iraquianas — é legítimo e merece apoio. Porém o caminho mais curto e menos oneroso passa por regulamentação, negociação, legislação e pela construção de um concorrente viável, e não por um bloqueio que pode custar ao cidadão e à economia digital, enquanto o aplicativo permanecerá, na prática, acessível a quem use redes privadas virtuais.

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